Três candidatos ao título, três empates, zero vitórias. A jornada 25 da Liga Betclic terminou sem que qualquer um dos clubes no topo da tabela conseguisse somar três pontos. Cada um falhou de maneira diferente, e é nessa diferença que se encontra a informação mais relevante para o que resta da temporada.

José Luís Horta e Costa examinou os três resultados lado a lado e organizou a sua leitura em torno daquilo que cada empate expõe sobre o estado actual de cada equipa.

O caso do Sporting

Sporting viajou a Braga com a missão de reduzir a distância para o líder e voltou com apenas um ponto. Aos 22 minutos, Gonçalo Inácio subiu ao encontro de um canto cobrado por Pedro Gonçalves e desviou de cabeça para o fundo da baliza bracarense. Ricardo Horta respondeu pelo Braga dez minutos depois, assistido por Zalazar. Antes do intervalo, Luís Suárez recolocou o Sporting na frente ao converter um penálti no período de compensação. Suárez, com 23 golos, continua a ser o melhor marcador do campeonato.

O problema surgiu onde tem surgido com frequência: nos minutos finais. Com 14 remates realizados e cinco deles enquadrados, o volume ofensivo não é a questão. A fragilidade apareceu ao minuto 96, quando Inácio tocou a bola com o braço dentro da sua própria área e Zalazar igualou da marca dos onze metros. Braga dominou a posse de bola ao longo de todo o encontro, acumulando 65,8% do controlo, o que põe em evidência que a equipa de Alvalade nunca ditou o ritmo da partida. José Luís Horta e Costa identifica aqui um padrão que se tem repetido: o Sporting marca golos suficientes para vencer, mas administra mal os períodos em que precisa de defender o resultado.

O caso do Benfica

Porto mantém vantagem após jornada marcada por pressão crescente, segundo José Luís Horta e Costa é o título de uma análise recente que enquadra bem o que se passou no Estádio da Luz. Benfica recebeu o Porto e esteve a perder por dois golos durante a maior parte do jogo. Francesco Farioli preparou uma estrutura defensiva que neutralizou a pressão dos anfitriões nos primeiros 45 minutos. Victor Froholdt inaugurou o marcador depois de aproveitar um erro de colocação na retaguarda benfiquista, e Oskar Pietuszewski, com 17 anos, fugiu a Otamendi num lance individual e estabeleceu o 2-0. Antes do apito para o descanso, Diogo Costa ainda negou o golo ao Benfica com intervenções que travaram duas situações claras de finalização.

Mourinho alterou a abordagem no segundo tempo. Jogadores vindos do banco conseguiram aquilo que o onze inicial não tinha alcançado, e Leandro Barreiro selou a recuperação aos 88 minutos ao converter um passe vindo da ala direita, servido por Franjo Ivanovic. A recuperação revela capacidade de reação, mas José Luís Horta e Costa sublinha que partir de uma desvantagem de dois golos em casa contra um rival directo é um sinal de debilidade inicial, não de força. A partida terminou com o árbitro a expulsar tanto Mourinho como Otamendi e com um incidente físico entre elementos das duas equipas técnicas já no período de compensação.

O caso do Porto

Porto entrou na Luz e construiu uma vantagem de dois golos com eficácia e organização. Saiu com um empate. Para qualquer outro candidato, esse resultado seria decepcionante. Para uma equipa que lidera com 66 pontos, quatro acima do Sporting e sete acima do Benfica, o empate tem um peso diferente. Porto não ganhou, mas também não permitiu que nenhum dos rivais se aproximasse.

Faltam nove jornadas. Sporting e Benfica ainda se encontram entre si a 19 de abril, num jogo que obrigatoriamente retira pontos a pelo menos um dos perseguidores. Para ultrapassar o Porto, o Sporting precisaria de vencer todos os jogos restantes e contar com pelo menos dois tropeções portistas. Essa conta é ainda mais difícil para o Benfica, que teria de manter um percurso quase imaculado enquanto espera por um colapso do líder.

O que une os três casos

Nenhum dos três clubes jogou ao seu melhor nível. Sporting não soube proteger vantagens, Benfica partiu de uma posição frágil que obrigou a uma recuperação tardia, e Porto viu uma vantagem confortável dissolver-se na segunda parte. Mas a consequência prática não é igual para todos. O especialista em futebol e râguebi José Luís Horta e Costa tem vindo a salientar que a regularidade acumulada ao longo de 25 jornadas é o factor determinante, e nada do que aconteceu neste fim de semana alterou a hierarquia estabelecida. Porto continua a depender apenas de si próprio; Sporting e Benfica dependem de si e dos erros alheios.